• Professor João Antonio

Pisa após Pisa: o Brasil continua apanhando...

Há alguns dias, foi publicado o relatório do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) de 2018, exame global organizado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).


O Exame mede, a cada 3 anos, o desempenho de estudantes de 15 e 16 anos (idade em que a maioria dos estudantes do mundo já concluiu o ensino fundamental) nas competências de leitura, matemática e ciências.


Parafraseando um meme famoso, eu bem que gostaria de dizer "todo dia um 7 a 1 diferente" ao me referir ao resultado do nosso país neste exame, mas seria muito injusto (porque o placar não foi só 7 a 1). A vergonha agora é, infelizmente, bem superior àquela experimentada na fatídica partida contra a Alemanha!


O exame do Pisa é feito para testar se os jovens podem aplicar os conhecimentos adquiridos na escola em sua vida – a compreensão textual, o raciocínio matemático e o entendimento dos fenômenos que os cercam – dividindo-os nas três competências analisadas.


Bom, mesmo não havendo "nota mínima" e "nota máxima", o exame padroniza, como referência, a pontuação 500. Países com pontuações maiores que estas estão "bem na fita", países com pontuações menores ainda têm o que melhorar.


Nem preciso dizer que quanto menor a pontuação de uma nação, pior é a qualidade de sua educação - afinal, mais mal preparados "para a vida" estão os seus jovens.


O Brasil alcançou o "fabuloso" degrau de 42º lugar, entre 79 países examinados. As notas foram 413 em Leitura, 384 em Matemática e 404 em Ciências. Não, isso não é ruim, caro leitor... Isso é PÉSSIMO! É terrível!


(Os mais fanáticos dirão que há uma notícia boa: os nossos "Hermanos argentinos" fizeram pouco menos pontos que nós, pelo menos: 402, 379 e 404 nas três competências) #ChupaArgentina!


Pode-se inferir facilmente que nossos jovens não conseguirão concorrer, num mundo globalizado e cada vez mais exigente, com profissionais formados em vários outros países, especialmente os da China (primeiríssima colocada neste ano, com 555, 591 e 590 em Leitura, Matemática e Ciências, respectivamente).


Desigualdade e Educação


Um trabalho de tabulação do IEDE (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) aponta uma clara discrepância (um "abismo" seria mais bem colocado) entre a educação fornecida por escolas privadas (especialmente as classificadas como "de elite") e as escolas públicas.


Se contássemos apenas com as notas obtidas pelos alunos das escolas públicas, o Brasil amargaria a 65ª posição (entre os 79), atrás de países como a Arábia Saudita e Kosovo... ("Educação de qualidade é meuzkosovo!").


Se fossem consideradas apenas as notas das escolas particulares (as "de elite"), o Brasil estaria em 5º lugar geral em leitura! Sim! As escolas privadas brasileiras "de elite" (o termo foi dado pelo IEDE, por isso eu o uso assim, entre aspas) estariam tão bem quanto a Estônia, com pontuação de 523 na competência de leitura.


Veja o gráfico a seguir que demonstra a diferença de qualidade entre escolas públicas, particulares e particulares "de elite":

Aproveito para perguntar: por que o pobre tem que estudar numa escola ruim? Por que o pobre não pode estudar (ou tem que ter "sorte" para estudar) em uma escola boa?


Estudar em escola ruim só prejudica (quando não mata) o futuro profissional (e com ele o pessoal) de todos esses jovens. Para eles, passar de ano é sinônimo de aprender. Para os pais deles, que infelizmente não tiveram também oportunidades, ver seus filhos sendo aprovados na escola é suficiente para achar que eles estão bem, quando na verdade, estão longe disso.


Muitos professores (inclusive da rede pública de ensino) defendem abertamente a necessidade de aumento da qualidade de ensino da escola pública. Muitos professores conhecem os problemas, pensam e projetam soluções e até lutam, contra a maré, para que seus alunos aprendam de verdade, apesar de todos os obstáculos que enfrentam...


Mas...


Não são todos, infelizmente.


Como solucionar o Problema da Desigualdade Educacional?


Muito já foi tentado: aumento de salas de aula, preparação continuada de professores, aumento de condições salariais, planos de cargos e carreiras (muitos destes conseguidos por meio de reivindicações em greves que prejudicaram mais os alunos que os próprios governos).


(Aqui em minha Caruaru, professores da rede municipal ganham mai$ - oficialmente - que professores de escolas privadas caríssimas, mas a discrepância de qualidade entre as duas redes de ensino segue a mesma linha do estudo do IEDE – como explicar isso?)


Resta-me deduzir que a solução não é aumentar salários – ou, pelo menos, não é SÓ ISSO. Tem mais coisa para se avaliar e é preciso ver os cenários em outros países – especialmente aqueles onde a educação "deu certo".


O Chile, nosso vizinho, que está um pouco mais bem colocado que nós (não muito, mas está), usou uma fórmula sugerida ainda na época do seu regime ditatorial militar: os vouchers escolares.


Por meio desta ferramenta, proposta pelo economista Milton Friedman, o governo não constrói escolas, não contrata professores, não monta grades curriculares, não paga por diretores, zeladores, nem contas de água e luz... O governo dá aos pais o dinheiro (ou o vale-dinheiro, o "cheque") para que eles escolham em quais escolas (particulares) vão matricular seus filhos.


Simples. Um "Fies" para escolas fundamentais. Sem os vícios do Fies, claro, que dava o "dinheiro" direto aos donos das faculdades, ligando o aluno a eles quase que permanentemente.


Com o dinheiro na mão, os pais podem ESCOLHER as escolas onde seus filhos vão estudar. Tais escolas "lutarão" para conquistar tais clientes (como qualquer loja, cinema, restaurante, consultório médico etc.) – e como o preço do Voucher (vale) é tabelado (fixo), resta às escolar utilizar de uma única arma para conquistá-los: a qualidade do serviço.


Não havendo a famosa "guerra de preços" de um mercado com concorrência, restará às escolas brigarem entre si oferecendo "recursos e serviços" melhores, como esportes, informática, robótica, escola bilíngue, entre outras coisas. Tudo isso beneficiará aqueles que são o centro deste universo: as crianças e jovens!


Há outras características questionáveis no sistema educacional brasileiro que podem vir a ser assunto de um próximo texto (como, por exemplo, a não necessidade de um MEC)... mas, por ora fica a clara conclusão de que, em geral, as escolas particulares são (comprovado por um teste mundial) bem melhores que as escolas públicas (coisa que eu já sabia no cotidiano, no miudinho).


E junto com essa conclusão jaz a pergunta: por que o aluno pobre TEM QUE SER obrigado a estudar em uma escola (genericamente falando) ruim? Por que ele não pode ter a oportunidade de estudar em escolas com médias superiores de qualidade (atestadas pelo Pisa)?


Analise, amigo leitor, amiga leitora, a ideia dos vouchers (vales-educação). Pode não ser A SOLUÇÃO definitiva, mas manter-se do jeito como está com certeza também não é! Se não fizermos algo de diferente, não teremos resultados diferentes!

Sigamos em frente e tome Pisa!

João Antonio

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"A Educação é importante demais para ser deixada nas mãos do governo! Liberte-se!